Exercer o nosso ponto de vista com firmeza, respeitar o outro e, assim, conquistar o seu respeito, tanto nas relações amorosas como nas relações sociais. Devia ser fácil mas, na realidade, não o é. Muito pelo contrario! O desafio é grande mas assume-se, muitas vezes, gigantesco quando o outro tem uma personalidade, digamos, negativa. Essa (rara e exigente) capacidade, chamada assertividade, exige um treino diário.

Além disso, é também a peça-chave para conseguirmos sair ilesos do embate com personalidades com traços tóxicos que "todos nós possuímos", até certo ponto, mas que se tornam um problema "quando são disfuncionais e muito generalizados no funcionamento de alguém", como as descreve Fernando Magalhães, psicólogo clínico. Descubra, de seguida, cinco dos tipos mais comuns.

1. O narcisista

"Sente-se especial e único, quer estar acima das regras e ter privilégios em relação aos outros, que considera inferiores. Deseja todas as atenções e não cumpre regras nem horários. Não se preocupa com os sentimentos dos outros, é arrogante e dirige todas as conversas para si próprio", descreve Fernando Magalhães. O contacto regular com o narcisista acaba por nos dar uma série de ensinamentos.

Ensinar que "é benéfico para a satisfação pessoal ter um interesse genuíno pelos outros e que estar demasiado autocentrado produz infelicidade", sublinha. "O narcisismo apenas afasta as pessoas e diminui uma autoestima que, na verdade, já era baixa", refere ainda o especialista.

Apresentar o nosso ponto de vista raramente funciona. Para obter um sim de um narcisista é preciso mostrar-lhe o que ele terá a ganhar. "Defina os seus limites claramente, mas evite críticas ou comentários negativos", aconselha o psicólogo. Se se sentir anulado, asfixiado ou se achar que o outro apenas se aproveita de si para receber atenção, é sinal de que terá de repensar a relação com essa pessoa.

2. O egoísta

Este ser autocentrado, conta Fernando Magalhães, "está apenas preocupado com os seus próprios interesses. Raramente elogia, não age para os outros e lida mal com sucessos alheios", diz. Ainda assim, o contacto com esta personalidade tem um lado positivo. Permite-nos perceber que "ser egoísta é uma infelicidade, que a partilha de bons e maus momentos é uma fonte de satisfação e que a vida não se resume a acumular coisas ou comparações com os outros".

"Aprenda a separar-se emocionalmente do egoísta e não passe a ideia de que depende dele", sublinha. "Também não é produtivo dizer-lhe que é autocentrado", recomenda o especialista. Sentir que "extrai muito de si ou que é menos importante do que ele" é sinal de que a relação com essa pessoa só lhe está a fazer mal.

3. O invejoso

"Sentimos que compete connosco. Quer ter sempre mais e mais, apregoando muitas vezes os bens que obteve. Fica irritado e zangado com as nossas realizações e não as reconhece nem elogia", descreve Fernando Magalhães. O seu comportamento faz-nos perceber com clareza que "a vida não se pode resumir a uma competição por bens materiais ou realizações e que o valor das pessoas não é comparável ou competitivo".

Se o invejoso chegar ao ponto de a desmoralizar com comentários como "Tu não vais conseguir" e o fizer sentir-se desapoiado, distancie-se emocionalmente. "Não espere elogios ou apoios dessa pessoa. O melhor é partilhar os sucessos e dificuldades com quem a motiva. Compreenda o que é mais importante num relacionamento e defina essa posição assertivamente", refere mesmo Fernando Magalhães.

4. O manipulador

O mais importante para esta pessoa é "obter controlo e poder. O manipulador tenta modificar e controlar o nosso comportamento e pensamento. É implícito e velado no seu comportamento", sustenta o especialista. Com o tempo, a relação com ele faz-nos ganhar a certeza de que "temos o direito de expressar as nossas necessidades, mas de forma clara e aberta", sublinha o especialista.

Felizmente, o manipulador "tende a ser descoberto e, quando isso acontece, fica isolado". Limite o contacto se se sentir culpado ou pressionado por não agir ou pensar da mesma forma que ele ou se se aperceber que está a adotar um comportamento contrário à sua maneira de ser. Seja firme. "Mantenha as suas posições e opiniões, não ceda à pressão", aconselha o psicólogo Fernando Magalhães.

5. O pessimista

Vive preso à máxima "Já sei que vai correr mal". "Espera sempre o pior. Centra-se nos aspetos negativos e nem repara no que pode ser positivo, desvalorizando qualquer realização pessoal", refere Fernando Magalhães. Denuncia-se por um "comportamento lento e arrastado" e por uma atitude "cética e descontente". Está quase sempre "triste", garante o especialista. "Mostra-se desconfiado e relutante", confidencia.

Aprenda com ele. O contacto com esta personalidade leva-nos a constatar que "o pessimismo paralisa a ação, gera emoções negativas e queixas inúteis e que apenas um otimismo racional nos pode motivar a agir e a aprender com as experiências". Defenda-se dele. O pessimismo pode ser contagiante. Sentir-se mais pessimista e triste e menos ativo do que o habitual, depois de estar com essa pessoa, é sinal dessa influência.

"Torne claro que alguns pensamentos negativos são distorcidos e irracionais e não alimente conversas negativas", sugere. Nessa situação, avalie se deve ou não manter o relacionamento. Faça um balanço sobre o custo-benefício da relação. Afeta o seu bem-estar? Tem algo a ganhar ou a aprender? O que acontecerá se deixar de falar com essa pessoa? Se a relação não afeta a sua autoestima, assuma uma atitude assertiva.

Use frases na primeira pessoa, como "Eu discordo…" em vez de "Tu não tens razão…". Mantenha um tom de voz sereno e firme, o contacto visual e as costas direitas, não gesticule e respire pausadamente.

Não tenha medo de dizer não e dê explicações curtas. Antes de falar, pense no que quer dizer. Por vezes, a não assertividade é razoável. "Perante alguém violento ou agressivo, poderá ser melhor abandonar ou ignorar a situação para não a alimentar", diz.

"Perante alguém demasiado negativo poderá ser razoável e dizer em voz alta que isto faz mal não vou ouvir mais e sair da situação", exemplifica Fernando Magalhães. Se se sente esmagado por essa relação, coloque-lhe um ponto final. "Explique os seus motivos ou necessidades e os aspetos que se tornaram incompatíveis para si, mas destaque também pontos positivos na situação", recomenda ainda o psicólogo clínico.

Texto: Nazaré Tocha com Fernando Magalhães (psicólogo clínico)

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