A tradição do piquenique remonta ao início do séc. XIX, quando um grupo de londrinos formou a Picnic Society. Cada pessoa levava uma diversão e algo para comer e partilhar com os outros.

O nome terá derivado de pick (apanhar) + nick (instante), embora os franceses defendam que a palavra tem origem em piquer (debicar) + nique (algo pequeno, sem valor), remontando ai ao século XVII. Certo é que em 1694 o “Dictionnaire du Etymologique de la langue François”, do linguista Gilles Menage, já incluía o termo.

Nacionalismos à parte, o costume de refeições partilhadas fora de casa é antigo. Veja-se, por exemplo, o mundo Babilónio, no século VI a.C., para encontrarmos refeições partilhadas ao ar livre, ainda com um carácter ritual, aquando das comemorações do ano novo.

Já os antigos Gregos organizavam simpósios onde os convivas comiam enquanto discutiam temas filosóficos ou políticos.

O Império Romano também não desmereceu no costume de partilhar refeições ao ar livre. Longe, claro está, do piquenique como atualmente o conhecemos. Estas refeições romanas decorriam, por exemplo, nas proximidades das sepulturas de antepassados. Outra prática passava por organizar refeições associadas à caça. As presas abatidas eram confecionadas no local da matança.

Piquenique: Dos rituais da antiga Babilónia à pintura dos mestres franceses
Pintura de Thomas Cole, autor inglês do século XIX.

Séculos mais tarde, vamos encontrar na Europa da Idade Média, uma vez mais a refeição fora de portas associada a caçadas e momentos festivos. No século XIV, Gaston de Foiz, autor francês, deixa o relato de um piquenique medieval. Do outro lado do Canal da Mancha, em Inglaterra, as refeições sob o céu eram também comuns. Momento para se consumir carnes curadas, assados e pães.

A democratização do piquenique

Com o tempo, o piquenique como reunião social assumiu novos contornos, associados essencialmente ao lazer. Uma prática de partilha, onde os comensais contribuem com pratos frios e facilmente transportáveis. Uma prática que, no Velho Continente, coincide com a transição de uma população rural para uma população urbana e a necessidade deste novo Homem procurar na natureza um elo perdido.

Para a história havia de ficar um piquenique no século XVII, quando o poderoso Oliver Cromwell, político britânico, desce aos relvados de Hyde Park, em Londres, para saborear uma refeição ao ar livre. Na época, a nobreza transformava os piqueniques em verdadeiros jantares de sumptuosidade.

Piquenique: Dos rituais da antiga Babilónia à pintura dos mestres franceses
Pintura do impressinista Edouard Manet, "Le Déjeuner sur l'Herbe", 1863.

Sob o lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” saído da Revolução Francesa de 1789 institucionaliza-se a democratização do piquenique. Os parques antes vedados ao povo e à pequena Burguesia, tem então as portas abertas. As teorias de Jean-Jacques Rousseau sobre a proximidade do ser humano à natureza concorrem para tornar o piquenique mais popular.   Uma refeição que se universaliza, para encontrarmos referências em inúmeras línguas: Merénda em italiano, Merienda em espanhol, pique nique em francês, Picknick em alemão, ou picnic em inglês.

Independentemente do formato, é imprescindível a presença de uma geleira, para manter os alimentos e bebidas bem frescos; uma toalha para isolar os bens alimentares de contaminações do solo e de insetos rastejantes. Junte ao elenco algumas almofadas para incrementar no conforto, não esqueça os pratos, copos e talheres e, claro, boa disposição.

E lembre-se: seja sobre a relva de um jardim, no areal da praia ou em plena floresta, evite fazer fogos e não deixe lixo para trás. Leve consigo um livro, alguns jogos e boa companhia para acolher da melhor forma o verão que aí vem.

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