Devias fazer mais para honrar a tua família e os valores que te demos. Não devias ser assim. Nem pareces alguém que chegou onde estás!

Por certo já se deparou com este tipo de afirmações. São habituais num contexto existencial em que estamos permanentemente a avaliar os outros e a ser avaliados por eles.

Nesta dupla avaliação, esquecemo-nos de que somos pessoas, de que somos singulares e temos direito à nossa singularidade. Este esquecimento do eu singular deve-se muitas vezes ao facto da nossa singularidade afectar aqueles que nos rodeiam. Sendo assim, uniformizamo-nos àquilo que é aceite para sermos aceites e respeitados.

A nossa singularidade começa a perder-se bem cedo. Desde logo, na estrutura educativa em que nascemos e crescemos e na sociedade sem a qual não somos, sem a qual não existimos como self. Crescemos dominados por escalas classificativas onde existe um ponto de normalidade acima do qual e abaixo do qual a nossa adequação ao modelo é colocada em causa.

Acima ou abaixo do qual somos acima da média, igual à média ou completamente fora da média. Um ponto através do qual perdemos a nossa singularidade. Vivemos, pois, em função de escalas de perfeição onde tentamos enquadrar a nossa conduta: o que fazemos, o que somos, o que temos ou aquilo que não temos, nem somos.

A nossa singularidade fica assim perdida atrás daquilo que nos definem como sendo necessário fazer ou ser para desempenharmos os mais variados papéis de forma exemplar. Aprendemos cedo como ser pais, filhos, maridos e esposas perfeitos, a alcançar o emprego perfeito, a vida perfeita, um corpo perfeito, uma saúde perfeita.

Nesta busca da perfeição imposta, passamos a integrar na nossa vida amarras angustiantes que anulam a nossa singularidade, aquilo que nos torna únicos. E entramos em ansiedade existencial e por vezes até em depressão. Em termos existenciais, respeitar a nossa singularidade significa tomar consciência das nossas prioridades e valores pessoais, bem como refletir sobre a pertinência dessas prioridades e valores para aquilo que constitui o nosso projeto existencial, o nosso querer, aquilo que desejamos para nós.

Assim, o que lhe proponho que identifique é quais os aspectos da sua vida relativamente aos quais sente que está a perder a sua singularidade. Em que pontos está a deixar para trás os seus valores e as suas prioridades? Onde está a deixar esquecido o seu percurso especial e único? Onde está a perder a sua autenticidade?

É natural que encontre imensas desculpas para ficar dependente daquilo que aprendeu como sendo correto. Viver no conforto do conhecido, é de facto, mais agradável do que fazer ruturas para ir em busca de algo que, regra geral, não faz sentido para os outros. Mas o importante é que faça sentido para si.

Neste processo de resgate da sua singularidade vai sentir-se avaliado. Não desista! Pode estar a fazer algo incómodo, mas não está a fazer nada de errado. O tempo é limitado. Por isso, devemos desenvolver ações com propósito: acções que estejam em sintonia com aquilo que é o sentido da nossa vida, mais do que viver no sentido da vida dos outros, sejam eles quem forem.

Texto: Teresa Marta (mestre em relação de ajuda e consultora de bem-estar)

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