Só 14% dos inquiridos faz pausas de 90 em 90 minutos, um dos fatores indicados como essenciais para melhorar a performance, e apenas 36% afirmam dormir as 7 horas diárias necessárias.

Quem é José Soares?

José Soares é Professor Catedrático de Fisiologia da Universidade do Porto.

Possui uma vasta experiência na melhoria da performance em pessoas e equipas, seja no contexto do desporto de alto rendimento, seja em ambiente corporativo.

Publicou cerca de 70 artigos científicos em revistas internacionais, participou como conferencista convidado em mais de 200 reuniões científicas nacionais e internacionais e é autor do livro Running, muito mais do que correr.

Nos últimos anos tem-se dedicado à implementação de programas de melhoria da performance corporativa em empresas como a Deloitte, Banco Popular, Banco Santander, Sonae, Grupo José de Mello, Colep, Sumol+Compal, Abaco e MEO.

A fadiga, o stress e o burnout são as consequências diretas da falta de descanso e da má gestão da vida profissional, o que afeta a vida pessoal. Viver num estado "never offline", devido à tecnologia, longas horas de trabalho, elevada pressão de resultados e, em certos casos, viagens frequentes, são os quatro fatores que caracterizam o atual ambiente corporativo e com os quais é necessário lidar, diz José Soares.

"A vida profissional ocupa a maior parte do tempo ao longo da semana e é necessário encontrarmos fórmulas de preservar o nosso bem-estar, ou levaremos o nosso corpo e mente aos seus extremos. É possível, da maneira certa, ter uma boa performance e conjugar a vida profissional com a vida pessoal", refere o professor universitário.

Segundo o autor, tudo passa pela resposta dos "4 R’s", uma transposição que o autor faz diretamente do mundo desportivo para o mundo corporativo. Recover, Refuel, Rethink e Reenergize são as categorias nas quais se encontram formas diversas para melhorar a performance, o bem-estar e a saúde.

Atualmente, um dos problemas mais evidentes, por exemplo, é o facto de as pessoas não recuperarem, mas acumularem, o que aumenta o risco de burnout, critica o especialista.

Doces e chocolates ajudam a dar motivação?

É verdade que chocolates e doces dão energia e são um dos fatores que pode ajudar a motivação, porque o cérebro é um órgão com um gasto energético que assenta sobretudo na glicose e, com o stress e a fadiga, surge uma sensação de menor energia e de cansaço mental. "Mas isso pode constituir um perigo, pois aumenta a necessidade deste tipo de recompensas ao longo do dia-a-dia, com outras consequências para a saúde. O aumento do consumo de medicação e de estimulantes, como o café, são outras consequências da fadiga e do stress", explica o professor.

Evitar o multitasking, rentabilizar as reuniões de acordo com o tempo máximo de concentração (cerca de 1h); apostar na organização (categorizar em pastas e trabalhar por prioridades); consumir alimentos que potenciam a capacidade intelectual; criar um ambiente agradável (por exemplo, procurando mais luz natural); usar técnicas de relaxamento e fazer exercícios simples durante o dia são algumas formas de melhorar a performance e o bem-estar, entre outras em destaque no livro e na conferência Expo RH, que decorre nos dias 27 e 28 de março, na qual José Soares irá expor o tema em detalhe no Centro de Congressos do Estoril.

A intervenção de José Soares na Expo RH - um dos maiores eventos em Portugal sobre recursos humanos - terá como base principal o livro "RELOAD", no qual são também referidas abordagens que as empresas podem adotar para melhorar a performance e o bem-estar dos trabalhadores, como ter em conta a sua individualidade; a adaptação das tarefas aos momentos e ao volume de trabalho; a sobrecarga; a interdependência de volume e intensidade de tarefas (tarefas criativas são mais intensas que tarefas de precisão) e as especificidades, como trabalhar sozinho ou em equipa.

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