Destacamos sete mulheres da história contemporânea africana que de uma forma ou de outra marcaram os acontecimentos políticos ou culturais.

Ellen Johnson Sirleaf, a “dama de ferro” da Libéria

A liberiana Ellen Johnson Sirleaf foi a primeira chefe de Estado eleita democraticamente no continente africano.

Formada em Economia pela Universidade de Harvard, Sirleaf foi eleita presidente da Libéria em 2005. A sua acção política centra-se na luta contra a corrupção e nas reformas constitucionais daquele que, em 1947, foi o primeiro Estado africano a tornar-se independente.

A sua contribuição para o fim do conflito armado, para a queda do anterior presidente, Charles Taylor, e para a luta contra a pobreza na Libéria, valeram-lhe, em 2011, o prémio Nobel da Paz.

Do combate que travou, com o intuito de tornar o seu país mais pacífico e transparente, resultou a expressão pela qual é conhecida: “Dama de ferro”. Esta alcunha fez com que fosse presa por duas vezes nos anos 1980. Foi ministra das Finanças, tendo como objectivo acabar com a dívida nacional e atrair investidores para a reconstrução do país, tarefas conseguidas em parte.

Em Novembro de 2011 foi reeleita Presidente da Libéria com 90,7 por cento dos votos. Ellen Sirleaf, de 73 anos, tem quatro filhos e oito netos.

Leymah Gbowee, a guerreira da paz

Leymah Gbowee liderou o movimento pela paz que ditou o fim da segunda guerra civil na Libéria no ano de 2003 e, juntamente com a sua compatriota Ellen Johnson Sirleaf, recebeu o prémio Nobel da Paz em 2011.

"Leymah Gbowee mobilizou e organizou as mulheres além das linhas de divisão étnica e religiosa para pôr fim a uma longa guerra na Libéria e garantir a participação das mulheres nas eleições", disse Thorbjoern Jagland, presidente do comité do Nobel.

Gbowee ficou conhecida como “a guerreira da paz”, após ter participado em movimentos contra a violência. Durante as batalhas que travou pela pacificação do seu país, conviveu com crianças e soldados. Sobre os contactos que manteve com os jovens durante esse difícil período, Gbowee declarou: "A única maneira de mudar as coisas, do mal para o bem, era que nós, mulheres e mães dessas crianças, nos levantássemos e avançássemos pelo bom caminho."

A sua acção mais marcante foi a “greve de sexo”. Esta iniciativa foi lançada em 2002 e levou as mulheres a negarem sexo aos homens até à cessação dos combates.

Quando era pequena era chamada de Red (vermelha) por causa da sua pele clara. Leymah Gbowee, 40 anos, é mãe de seis filhos e vive no Gana desde 2005.

Bineta Diop, a Embaixadora para a igualdade de género

Em Abril de 2011, a revista Time colocou Bineta Diop entre as 100 mulheres mais influentes do mundo, reconhecendo assim as suas iniciativas em prol da paz para o continente africano.

Fundadora e directora da Organização Não Governamental Femmes Africa Solidarité (Mulheres África Solidariedade), Dioup dedica-se à protecção de mulheres em zonas de conflito e à sua integração nos processos de paz.

A sua prioridade passa por garantir que os assuntos femininos sejam considerados em políticas e programas. A activista pelos direitos das mulheres considera que “não é certo que os homens possam expressar as necessidades das mulheres. A liderança feminina deve estar reflectida directamente nos mecanismos de tomada de decisão”.

A feminista senegalesa acredita que a integração das mulheres deve acontecer em todos os sectores da sociedade, e para ajudar a alcançar este objectivo criou o centro Pan-Africano de Género, Paz e Desenvolvimento, em Dacar, no Senegal. O principal intuito deste centro é construir uma liderança africana, baseada no género feminino e na resolução pacífica de conflitos.

Diop recebeu em 2005 os prémios West African Women Association Award e o Leadership and Good Governance Award pela Federação Internacional de Mulheres para a Paz Mundial.

Veja na página seguinte quais são as outras mulheres que fazem a história de África

­Ngozi Okonjo-Iweala, a economista pop

Num universo maioritariamente masculino, chama a atenção pelo uso de cores e turbantes. Ngozi chegou às manchetes dos jornais quando deixou o cargo de directora administrativa do Banco Mundial em Julho de 2011 para se tornar Ministra das Finanças da Nigéria. Actualmente é considerada uma das maiores autoridades internacionais no combate à pobreza, à inflação e à corrupção nos países em desenvolvimento.

Were Were Liking, a pioneira da arte contemporânea africana

Pintora auto-didata, escultora, escritora, argumentista e directora de palco, Liking é considerada uma das pioneiras da arte africana contemporânea. O seu trabalho chama a atenção para o potencial da literatura africana se renovar e regenerar. Radicada na Costa do Marfim, Were Were Liking nasceu nos Camarões, em 1950.

Angélique Kidjo, a estrela da música africana

Vencedora de Grammy’s e Embaixadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância, a cantora e compositora do Benin destaca-se pelas suas diferentes influências musicais e criatividade nos videoclipes. Angélique Kidjo é uma das vozes mais poderosas do continente e é também conhecida por dar a cara pela luta contra a mutilação genital feminina.

Graça Machel, uma mulher que dedica a vida a lutar pelos outros

A política Graça Machel luta há várias décadas pelos direitos humanos. Estudou Filologia da Língua Alemã em Portugal e fez parte do comité central da FRELIMO em 1975, ano em que o partido chegou ao poder em Moçambique. Na altura foi escolhida para ministra da Educação, função que desempenhou durante 14 anos.

Activista por natureza, tem dedicado a vida à investigação e ao apoio de causa humanitárias. Um dos seus trabalhos mais conhecidos é o "Impact of Armed Conflict on Children", o "relatório Machel', que despertou o mundo para a gravidade de crimes como o alistamento de crianças no exército e a prostituição infantil.

Graça Machel já desempenhou diversas funções, com destaque para a de presidente da comissão nacional da UNESCO em Moçambique. O seu trabalho tem sido reconhecido por várias entidades internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), que a homenageou com a “Medalha Nansen” em 1995.

Graça Machel foi casada com o primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel, que foi assassinado em 1986. A política é também conhecida por ser casada com Nelson Mandela, o primeiro Presidente negro da história da África do Sul.

Graça Machel tem 66 anos e a busca por uma melhor Educação continua a fazer parte do seu dia-a-dia. Actualmente é presidente do Conselho de Administração da Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul.

+ Biografia de Graça Machel

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