Entrou formalmente para a Rádio Clube de Moçambique (hoje Rádio Moçambique) com os seus 16 anos, quando ainda era estudante. Na verdade conta com 34 anos na área de comunicação social, sendo 28 anos preenchidos fazendo televisão no sector público e privado. Trata-se de Anabela Adrionopoulos, hoje uma das apresentadoras de televisão cujo programa “Palavras de Mulher”, na privada STV, faz sucesso, conquistando uma boa parte da audiência feminina.

Este programa sucede a outros como “Diálogos” que dava muita atenção a questões femininas. Quando questionada sobre a tendência em apresentar programas cujos temas estão direccionados para a mulher, esta comunicadora relaciona o facto com a sua vida particular. “A certa altura da minha vida apercebi-me que tendo apenas filhas mulheres e convivendo muito com mulheres, apercebi-me que havia uma lacuna muito grande que era por um lado dar a conhecer aquilo que são as obras das mulheres e por outro lado ajudar as outras que não fazem coisas visíveis para terem uma referência”, disse Anabela.

No programa “Palavras de Mulher” Anabela Adrianopolos conta, em jeito de entrevista, a vida inspiradora de várias personalidades femininas ligadas a diversos sectores, desde a economia, política, desporto passando pela cultura, desfilando no seu programa figuras reputadas e algumas anónimas.

Uma das motivações que levam esta apresentadora a estar à frente de programas com conteúdo feminino está relacionada com o facto de as maiores taxas de analfabetismo, entre outras, serem elevadas entre as mulheres. “Nós somos um pouco mais de 50% da população moçambicana e temos as maiores taxas de mortalidade e analfabetismo, isto só por si dá-me ganas de fazer qualquer coisa em relação à mulher, daí este meu contributo para reverter o cenário”, contou a apresentadora.

Continuar a contribuir para a educação da rapariga é a grande aposta da apresentadora que diz ter ficado decepcionada com a reacção de uma certa camada da sociedade que não compreende a orientação virada para as mulheres que dá nos seus programas. “Posso compreender que um homem que não é escolarizado e não está integrado no mundo moderno tenha uma atitude preconceituosa ou uma reacção de rejeição a coisas que são viradas para a mulher, mas já não compreendo que pessoas escolarizadas tentem rejeitar cerca de 50% do Mundo”, rematou Adrianopolos.

Anabela regozija-se pelo facto de as mulheres estarem cada vez mais a assumirem postos de liderança no país, salientando o facto de o Parlamento moçambicano ser o 10º no mundo com maior presença feminina. “Isto significa que houve vontade política para de fazer essa equidade, no entanto aquilo que desejaria é que essas mulheres que estão em posições de liderança no Governo e no Parlamento tivessem a força necessária para impor e colocar a agenda política da mulher nesses postos de governação, por exemplo que uma lei como a da violência doméstica não tivesse levado sete anos para ser aprovada. Gostava que eles tivessem poder de facto e não se guiassem pelas agendas políticas dos partidos onde estão enquadradas”, afirmou a apresentadora.

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