Quando servia bebidas numa discoteca de Berlim Leste, durante a juventude, a estudante Angela Merkel nunca imaginou que um dia seria considerada a mulher mais poderosa do planeta e que a sua voz confundir-se-ia com a da própria União Europeia.

A chanceler alemã Angela Merkel lidera a maior economia da Europa e a actual crise financeira mundial atraiu sobre si todas as atenções. É ela quem determina o caminho e as políticas económicas a seguir pelos países do Sul para sair da crise.

Mas esta alemã de 58 anos já foi uma jovem divertida e chegou mesmo a ocupar 'clandestinamente' um andar num edifício de apartamentos na antiga Alemanha de Leste, onde nasceu, como revela em livro, Gertrud Höler, antiga assessora da líder do partido União Democrata Cristão (CDU).

Segundo o jornal espanhol 'El País', Angela Merkel aparece descrita pela antiga assessora como sendo "masculina e fria até na escolha do vestuário", apesar de a chanceler alemã ter brindado os fotógrafos, durante a inauguração da nova Ópera de Oslo, ao lado do rei Herald V da Noruega, "com um pronunciado decote e uma curta baínha."

Aos 23 anos, casou com Ulrich Merkel, também estudante de Ciências Físicas como ela, mas o casamento durou apenas quatro anos. A explicação de Merkel para este fracasso é simples: "Parece um pouco tonto, mas casei-me porque toda a gente se casava na altura. Não foi um casamento com maturidade suficiente."

Chegados a Berlim, o casal enfrentava alguns problemas para encontrar casa enquanto procuravam trabalho de acordo com as suas licenciaturas. Como explicou Merkel a uma entrevista ao periódico Süddeutsche Zeitung, logo depois do divórcio ocupou um andar vazio, na rua Marienstrasse de Berlín, durante uns tempos.

A atitude fria e contida que lhe é conhecida é uma herança da educação paterna, um pastor luterano rigoroso, que lhe terá incutido a ideia de uma vida "impelida pela fé cristã", e "ignorando as fraquezas da carne". É ela própria quem confessa que "a fé em Deus facilita-me muitas decisões políticas."

A líder alemã, que não recua um milímetro durante a difícil discussão do orçamento da União Europeia ou as medidas de austeridade a aplicar a países como a Grécia ou Portugal, é a mesma que um dia deixou o primeiro marido, levando consigo a máquina de lavar, o único bem que lhe interessava.

É descrita como alguém a quem pouco ou nada interessa a forma física ou 'sex appeal', já que não usa biquini nem permite qualquer tipo de mexericos na imprensa, mantendo fechada a sete chaves a sua vida privada.

Não se lhe conhece nenhuma reacção ao comentário pouco lisongeiro de Silvio Berlusconi, que lhe chamou "feia" na imprensa.

Mas nos primeiros anos, jovem Angela gostava de dançar e vestia calças de ganga, enquanto servia bebidas numa discoteca, a troco das sempre bem-vindas gorjetas, que lhe ajudavam a engrossar o salário ao fim do mês, como confessou à escritora Patricia Lessnerkrausen.

Em 1981, conheceu o actual marido Joachim Sauer, na altura casado e pai de dois filhos, então professor na Acedemia de Ciências de Berlim. Depois desse encontro Angela Merkel decidiu 'assentar'. Os dois casaram-se em em 1998, mas durante muitos anos era ela quem lhe fazia a lista das compras do supermercado.

A ascensão meteórica de Angela em direcção ao poder iniciou-se em 1989, tirando partido do olhar condescendente e de certa forma machista dos políticos que a rodeavam, ignorando ou mesmo menosprezando o seu instinto político.

Segundo a antiga assessora Gertrud Höler, Angele Merkel é uma pessoa sem ideologia, cujos valores são volúveis e não confia em ninguém; é meticulosa e com uma obsessão desmesurada pelo trabalho, até à exaustão.

No entanto, o jornalista Dirk Kurbjuweit da revista Spiegel, citado pelo 'El País', que acompanhou Angela Merkel muitas vezes, diz que "a imagem de gélida, distante, burocrata da chanceler é apenas um dos lados da moeda."

"Angela Merkel não é uma cascável, os elementos da sua personalidade continuam sendo a distância, a nálise e o sentido de observação desenvolvidos numa Alemanha de partido único e polícia política, onde convinha abrir bem os olhos e fechar a boca."

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