"Em 60 meses demos a 600 milhões de pessoas (de um total de 1,3 mil milhões) acesso a latrinas e mais de 110 milhões de latrinas foram construídas", exclamou na quarta-feira Modi num ato público em Ahmedabade, oeste da Índia, que coincide com o dia do 150º aniversário do nascimento de Mahatma Gandhi, que desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da situação sanitária do país.

Narendra Modi, que em maio renovou o seu mandato como primeiro-ministro, foi premiado no mês passado em Nova Iorque pela Fundação Bill e Melinda Gates pelas medidas tomadas contra esse problema de Saúde Pública.

Embora tenha havido enormes progressos nessa questão, especialistas mostraram-se céticos e garantem que milhões de habitantes da Índia ainda não têm casa de banho.

"Muitas latrinas foram construídas de 2014 a 2018. A propriedade de latrinas aumentou de cerca de 35% para 70%", disse Sangita Vyas, do Instituto de Investigação de Economia Compassiva (RICE).

"Mas em dezembro de 2018 calculamos que cerca de metade da população em estados como Bihar, Madhya Pradesh, Uttar Pradesh e Rajasthan ainda defecavam ao ar livre", acrescentou à AFP.

Vyas duvida que esse número tenha mudado desde então. Nesses estados residem mais de 450 milhões de pessoas.

Muitas das casas de banho públicas, ou das latrinas que foram construídas, estão fechadas ou são usadas como depósitos ou para outros propósitos.

Além disso, as barreiras culturais e os costumes locais dificultam a generalização do uso das casas de banho, salienta este investigador.

Uma reportagem de Premal Balan, Aishwarya Kumar e Abhaya Srivastava, jornalistas da agência de notícias France-Presse, editada por Nuno de Noronha.

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