Vamos pensar pequeno. Tão pequeno que um dos símbolos máximos da arquitetura em ferro do século XIX, a francesa Torre Eiffel, é reduzida à dimensão da cabeça de um pau de fósforo. É assim que pensa e atua o artista russo Salavat Fidai. Fotógrafo e pintor, Fidai é também um escultor com uma obsessão, esculpir tão pequeno quanto lhe permitem as ferramentas e os métodos de miniaturização.

A matéria-prima base para as criações de Salavat encontram-se dentro do estojo de todas as crianças, os lápis de grafite. É na ponta do lápis, na grafite suave que normalmente aparamos, que o russo exprime a sua arte. Personagens do cinema, nomeadamente da ficção científica e fantasia, mas também alguns ícones da arquitetura mundial, estão entre as preferências de um homem que, durante 25 anos, dedicou a sua vida à advocacia.

Um percurso que mudaria em 2013 quando Salavat Fidai, passou a dedicar-se a tempo inteiro à fotografia e pintura. A partir de 2014 o criador inicia um conjunto de trabalhos na frágil matéria-prima no âmago de todos os lápis.

Para produzir uma das suas peças, cuja dimensão varia entre os 0,5 mm e os 5 mm. Fidai despende entre seis a 12 horas, podendo, no caso dos modelos mais complexos, levar até três dias a concluir uma obra. Um trabalho que pode ficar comprometido em qualquer uma das fases de produção. Basta um engano para a frágil grafite quebrar.

Nas suas produções o artista russo usa, somente, uma faca que concebeu artesanalmente e um microscópio.