Comecemos com uma adivinha: “qual é coisa qual é ela igual ao prato de Sushi e que se mantém fresca por 30 anos?”. A resposta resume-se a uma palavra: Sampuro. O termo nipónico deriva da palavra inglesa “sample”, ou seja uma amostra. Neste caso, movimentamo-nos na área da gastronomia e, em concreto, há que prestar homenagem ao homem que há quase um século inventava para o mundo uma réplica de omelete perfeita produzida em cera.

O homem, um empresário de sucesso, chamava-se Takizo Iwasaki, nasceu há 121 anos, a 12 de setembro de 1895 e na sua longa carreira havia de inventar o Sampuro.

Na prática estamos a falar de réplicas perfeitas da comida que encontramos nas ementas dos restaurantes, bares, café, um pouco por todo o Japão, mas também na China e na Coreia do Sul, no México entre outras regiões. Alargando o conceito, em muitos países são apresentadas imagens dos pratos servidos à mesa e ao balcão. Basta pensar nas cadeias de fast food. Embora sem o mesmo impacto visual de um objeto 3D.

Por terras do “Sol Nascente” estas amostras não eram novidade. Há séculos que a representação em cera de alguns petiscos fazia parte da rotina de casas de pasto e outros pequenos estabelecimentos.

O que Takizo Iwasaki anteviu na década de 30 do século XX, foi um lucrativo negócio que em poucos anos catapultou a sua empresa a Iwasaki Be-I, a mesma que ainda hoje lidera o seu ramo de atividade. Com a exposição da comida replicada em cera, evitava-se a degradação dos verdadeiros alimentos. Isto com a vantagem do cliente antever o que se ia comer à mesa. A gastronomia japonesa inclui muitos ingredientes crus, logo exigindo cuidados adicionais na conservação. E, convenhamos, para um ocidental perdido nas ruas de Tóquio e frente aos caracteres japoneses, um apoio visual respeitante à ementa é bem-vindo. Curiosamente, as primeiras versões de Sampuro serviam o objetivo inverso. Representavam os pratos ocidentais aos comensais nipónicos.

A evolução das matérias-primas alterou a composição destas amostras. As Sampuro começaram por ser em cera, no primeiro quartel do século passado. Hoje em dia é uma indústria especializada e lucrativa que trabalha com o plástico, embora continue a empregar maioritariamente mão-de-obra artesanal. Pelo meio ainda foi utilizada a parafina, uma prática abandonada pois as réplicas perdiam a cor quando expostas ao sol.

Atualmente as Sampuro extravasaram o âmbito alimentar e vamos encontrá-las ao serviço, por exemplo, da Sétima Arte, sendo um adereço importante em filmes. Invadiram a publicidade, os museus, os salões de exposições, onde a verdadeira comida não pode ser exposta. E tudo graças à obstinação de um japonês que durante oito anos, a partir de Osaka, desenvolveu o processo industrial destas réplicas de alimentos. Ao que consta a cópia da omeleta de Takizo Iwasaki tinha melhor aspeto que a original, cozinhada pela sua mulher.

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