Rofina, a Bombeira

Rofina Jongo Isabel tem 43 anos de idade e ingressou no Serviço Nacional de Bombeiros no já longínquo ano de 1998. Os dois primeiros anos foram cumpridos como funcionária eventual. Depois, em 1990, após seis meses de estágio, ingressou nos quadros da empresa. “Em todo o país somos apenas seis mulheres. Aqui na cidade sou a única bombeira”, afirma com ar resignado.

Actualmente, não vai para o terreno em caso de catástrofe, desempenhando as funções de telefonista, recebendo e direccionado as chamadas. Incêndios e afogamentos são as situações que mais ocorrem. Cabe-lhe a ela também accionar o alarme para chamar os colegas nas situações críticas. Em relação à situação que mais a marcou, não tem dúvidas: “Foi quando salvámos um sujeito bêbado que se estava a afogar na baía. Apesar de estar ciente que esta é uma profissão mais associada ao universo masculino, Isabel refere que consegue conciliar a profissão com a condição de mãe, esposa e educadora. Para tal conta com “os préstimos do seu marido e com a ajuda dos filhos.”

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Graça, a Polícia

Licenciada pela Academia das Ciências Policiais – ACIPOL – há cinco anos, Graça Mabessa revela que está satisfeita por ter escolhido a profissão de polícia, uma actividade ainda hoje bastante feudo dos homens. “Repare que agora já temos um grande número de mulheres na Polícia, o que dantes era impensável. As barreiras do preconceito vão sendo, aos poucos, derrubadas e qualquer dia não se espante de encontrar tudo isto dirigido por mulheres”, profetiza, entre risos.

Graça reconhece, todavia, que não era esta a profissão com que sonhou na juventude, mas depois de ter chumbado nos exames de admissão do UEM em 2001, não lhe restou alternativa. “Olhei para a ACIPOL como a única salvação”, refere, acrescentando logo de seguida: “Não me arrependi.”

Hoje Graça sente-se muito realizada e não tem pejo de afirmar que esta “é a melhor profissão do mundo.”

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Orlanda, a Mecânica

Desde muito cedo que Orlanda Carlos Manjemo revelou apetências por tarefas que a sociedade vê como de âmbito masculino. “Desmontei muitos carrinhos dos meus irmãos e troquei muitas lâmpadas”, refere, entre risos, esta jovem de 25 anos de idade e mãe de um filho.

Começou por tirar um curso de mecânica de quatro meses na Mecanagro, uma empresa sedeada na Matola, dos quais dois estavam reservados à prática. No final, a sua média foi muito superior a muitos dos seus colegas do sexo oposto. Orlanda já perdeu a conta ao número de carros que reparou. À pergunta se os clientes não preferem os homens a resposta veio pronta: “Muito pelo contrário, até recai sobre mim as preferências dos clientes.”

Orlanda assegura que muitas mulheres não ingressam nesta profissão por se recusarem a “sujar a cara.” Eu estou assim, mas depois disto vou tomar um banho e continuo muito mulher, tanto ao mais do que elas. Quando estou fora destas roupas pareço uma secretária”, garante com um sorriso que lhe enche o rosto. “Quando sair daqui vou pintar os lábios e as unhas.”

Cristóvão Araújo

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