Não é de estranhar que do país maior produtor de noz à escala global, a China (seguida dos Estados Unidos da América), responsável por 50% da cultura desta oleaginosa, saiam há séculos preciosidades talhadas a partir deste recurso natural de grande disponibilidade. As cascas de noz esculpidas à mão, somam consideráveis quantias em leilões mundo fora. Não raro são comercializadas com bases de licitação de centenas de dólares.

Trata-se de exemplares trabalhados com uma precisão milimétrica e com recurso a ferramentas de entalhe próprias para a natureza lenhosa da casca de noz. Em regra, as cascas do fruto da nogueira exibem cenas assentes na mitologia e religião, embora também episódios da vida quotidiana.

Peças que para além do caráter decorativo também serviram – e servem - como amuleto para diversos fins. Aliás, a noz é desde há muito tida, em diferentes culturas, como alimento símbolo de fertilidade. O que inclui a própria árvore, dado ser a noz a semente que fará frutificar as novas gerações. Ainda no campo das crenças e na Idade Média, a semelhança das nozes com o cérebro humano, fazia crer que este seria um bom alimento para aliviar as dores de cabeça.

Independentemente do poder simbólico das nozes, em diferentes regiões e tempos, este é um alimento que acompanha o ser humano desde os primórdios do ato alimentar. As nozes estavam incluídas na alimentação do Homem na Pré-História. Algumas ferramentas em pedra, encontradas em sítios arqueológicos atestam o facto, pois serviam para rachar a casca dura da noz.

Foram encontrados vestígios de nozes em grutas com antiga ocupação humana no território onde atualmente se situa o Iraque, estimando-se que tenham perto de 50 mil anos.

Na região onde atualmente se localiza Israel, foram encontradas pedras com uma concavidade, aptas para abrir nozes. Presume-se que os nossos antepassados ingeriam o miolo da noz, alimentando o fogo com as cascas.

A domesticação das nozes terá começado há aproximadamente 12 mil anos, com tribos da Idade da Pedra que viviam numa região onde hoje é a Suíça.

Mais tarde, a civilização romana associou a noz a Juno, deusa da maternidade, protetora das mulheres. Desta forma as mulheres transportavam frequentemente nozes como símbolo de fertilidade.

noz

No decurso da Idade Média as nozes eram introduzidas em prensas para extrair o óleo. Quando a fome grassava e o desespero atingia o limite muitas comunidades faziam farinha a partir da casca de nozes selvagens. Misturando-a com um elemento líquido produzia-se um pão.

Ainda hoje, um costume de Poitou, em França, aconselha os os noivos a dançarem em torno de uma nogueira. Os locais acreditam que praticando esta dança a futura mãe terá muito leite para o seu bebé.

Ainda em França, um saco com nozes no teto da cozinha representava abundância.

Já em Inglaterra, pelo século XVIII, as nozes eram somente aceitáveis no final das refeições, juntamente com o vinho do Porto e o queijo de Stilton.

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