Atualmente, a princesa Haya, que fugiu para Londres, pede à Justiça britânica proteção para a sua filha.

Nesse estratégico país do Golfo, os Emirados Árabes Unidos, os casos de "princesas rebeldes" apareceram nas primeiras páginas dos jornais e irritaram as altas esferas do Dubai.

Esta cidade-Estado controla cuidadosamente, no exterior, a sua imagem de grande centro financeiro internacional e paraíso de luxo para os turistas, com os seus gigantescos centros comerciais e sofisticados arranha-céus.

Neste verão, a princesa Haya, de 45 anos e sexta esposa do soberano dos Emirados casada em 2004, causou polémica ao fugir, para Londres, do marido de 70 anos e lançar um processo inédito contra o esposo.

Na terça-feira, solicitou a um juiz da Vara de Família da Alta Corte de Justiça de Londres uma medida de proteção contra um casamento forçado que pode envolver a sua descendência. Também pediu proteção contra atos brutais e pediu a guarda dos seus filhos.

O xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum reclama o regresso dos filhos aos Emirados.

A audiência na Alta Corte de Londres prosseguiu esta quarta.

Nascida e criada na Jordânia, Haya foi educada em escolas privadas da elite britânica e completou a sua licenciatura em Oxford. Apresenta-se como o símbolo da mulher muçulmana moderna.

"Prisão dourada"

Princesa Haya
créditos: Yousef ALLAN / ROYAL PALACE / AFP

"As mulheres devem tomar consciência da sua força", disse Haya (na foto) em 2016 a uma revista feminina dos Emirados.

"O soberano do Dubai escreve poesia sobre o seu coração quebrado pela fuga da sua mulher, a princesa Haya, mas dado aos maus-tratos que dá às suas filhas detidas, parece não tolerar as mulheres, salvo quando estão confinadas à sua prisão dourada", disse no início de julho o diretor da Human Rights Watch (HRW), Ken Roth, referindo-se às princesas Latifa e Shamsa, filhas do emir.

As princesas tentaram fugir, mas tiveram menos sorte.

Em março de 2018, Latifa al-Maktum, de 32, expressou num vídeo divulgado no YouTube o seu desejo de fugir do país. Aos prantos, disse que foi "torturada" e "presa durante três anos" pelo pai, depois de uma primeira tentativa de fuga quando ainda era adolescente em 2002. Criticou "um pai que pensa apenas na sua imagem" e que "destrói a vida de tantas pessoas".

"Faço este vídeo, caso isto fracasse", disse na época.

O vídeo foi publicado, depois da tentativa, digna de um filme de ação e iniciada em 24 de fevereiro de 2018, ter fracassado.

Com a ajuda de uma amiga finlandesa, a princesa conseguiu sair da cidade-Estado para embarcar discretamente nas águas de Omã, sultanato vizinho, num veleiro americano. A sua tentativa fracassou na noite de 4 para 5 de março, em águas internacionais frente a Goa, quando o navio foi abordado pela Marinha indiana, segundo a finlandesa Tiina Jauhiainen.

O governo do Dubai confirmou depois que a princesa foi "levada de volta" para a sua família e que estava "bem".

"Drogada"

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A organização com sede no Reino Unido Detidos no Dubai disse à AFP que a "situação das princesas Haya e Latifa (na foto) mostra faltas graves e abusos legalizados do Sistema Judiciário dos Emirados, em particular no que diz respeito aos direitos das mulheres".

No vídeo de março de 2018, Latifa disse estar marcada pelo destino da sua irmã mais velha, a princesa Shamsa, filha do emir do Dubai.

Aos 18 anos, Shamsa tentou fugir do pai, em 2000, durante férias em Inglaterra. Foi encontrada após dois meses de fuga, "drogada". Acabou por ser levada para o Dubai num jato particular e "trancafiada".

"Não tem nenhuma liberdade (...) está cercada por enfermeiras e tem que tomar medicamentos que controlam os seus pensamentos", denunciou Latifa, no vídeo.

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