Inumeráveis gerações de humanos habitaram este nosso planeta sem que, alguma vez, tenham observado pelo "olho" aumentado de um microscópio todo um mundo micro em efervescência. Em abono da verdade, mesmo neste século XXI, levamos as nossas vidas sem perceber que, de facto, nunca estamos sozinhos, mesmo quando julgamos estar.

Na cozinha, na cama, no sofá onde nos sentamos, na escova de dentes que usamos, vivem colónias de microrganismos. Não os ouvimos, nem os vemos, o que não invalida que lá estejam. E, felizmente, sabemo-lo. Um facto que levaria milénios até se tornar uma evidência. Contribuiu para “incomodar” este universo à escala micro dois holandeses do século XVI, Hans Janssen e Zacharias, respetivamente pai e filho.

Em comum, para além dos laços familiares, o facto de terem uma obsessão, o de fabricarem bons óculos. Das lentes que facilitavam as leituras de há cinco séculos, para as lentes que possibilitaram descobrir as criaturas invisíveis do quotidiano foi um passo.

Caberia, contudo, ao senhor Anton van Leeuwenhoek, também holandês, a capacidade de levar o microscópio ótico para o campo da ciência. E fê-lo com sucesso. Leeuwenhoek observou, pela primeira vez, os seres vivos que só alguns suspeitavam existir nos tapetes de suas casas.

Microscópios que em nada se comparavam com o que, posteriormente, os avanços da ciência lhes auguravam. Os tetravôs dos modernos microscópios eletrónicos eram dotados de apenas uma lente de vidro, permitindo aumentar até 300 vezes com razoável nitidez. Hoje, talvez não nos pareça muito, mas olhando retrospetivamente, fez a diferença, por exemplo, no deslindar das matérias-primas que nos fazem a todos, os espermatozoides e os óvulos.

Um mundo surpreendente o que vive nos objetos do quotidiano aumentados milhares de vezes
Papel higiénico.

Teria a ciência de aguardar pelos anos de 1930 e pelo físico alemão Ernst Ruska para que uma nova geração de microscópios nos levasse muito além das fronteiras do muito pequeno, entretanto trilhadas.

Preterindo as lentes de cristal em abono das de boninas, também chamadas lentes eletromagnéticas, os microscópios eletrónicos mergulhavam num mundo que, em extremo, pode ser aumentado até 500 mil vezes.

Agora não era apenas o glóbulo vermelho a ser deslindado, mas as partes que compõem o mesmo. Transpondo a utilização destes novos microscópios para objetos do quotidiano, vemos, como aqui expomos, como aquilo que temos como linear apresenta uma complexidade surpreendente. Imagens que beneficiam da utilização do computador, sendo coloridas artificialmente. Isto como forma de enfatizar este mundo perturbador, embora desafiante.

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