Surpreendeu-se com o que viu e quis mostrá-lo ao mundo. Além de fotógrafo, Tom Marshall é colorista e restaurador de fotografias antigas, o que lhe permitiu trabalhar com alguns dos principais museus, arquivos fotográficos e editores do mundo, assim como integrar comissões e projetos privados nessa área. Apaixonado pela sua arte e pelas histórias que vai desvendando no seu trabalho, descobriu também uma missão.

Tira partido dessas descobertas para alertar o mundo para várias causas sociais, como aconteceu agora com o flagelo do trabalho infantil. Muito apreciador do trabalho do fotógrafo e sociólogo americano Lewis Wickes Hine, pioneiro da fotografia documental, Tom Marshall resolveu trazer a público imagens a preto e branco que, há mais de um século, muitos governantes procuraram esconder.

Depois de as descobrir na US Library of Congress, uma das maiores bibliotecas dos EUA, decidiu colori-las digitalmente. Foi a forma que encontrou para mostrar, muitas delas pela primeira vez, as fotografias que integram um dos trabalhos que transformaram Lewis Wickes Hine numa das figuras que contribuíram para a mudança da legislação laboral infantil nos EUA no início do século passado.

«Hine é o principal responsável por existirem registos da vida das classes trabalhadoras nos EUA. Os seus registos da primeira metade do século XX são o único vislumbre da vida real da classe trabalhadora na América», justifica o fotógrafo. «A imoralidade do trabalho infantil foi escondida do público. À época, a exposição dessas práticas constituía uma ameaça para a indústria», critica ainda.

As fotografias a preto e branco captadas por Lewis Wickes Hine, muitas vezes de forma clandestina ou sob disfarce são, por isso, para Tom Marshall, perfeitas para (re)lançar um alerta sobre um flagelo social que é, ainda, uma realidade em pleno século XXI, o trabalho infantil, uma circunstância ainda presente em muitos países subdesenvolvidos. Foi por isso que as quis colorir e mostrá-las ao mundo.