Já lá vão os dias dos modelos musculados, bem torneados, altos e másculos. Agora o que está a dar são homens em corpos de meninos, pálidos e, sobretudo, muito magros.

Na onda do rock and roll britânico, o look de Pete Doherty é um exemplo a seguir e skinny é a palavra de ordem, não só para as calças mas também para as pernas. Os ginásios deixaram de ser uma paragem obrigatória para um corpo ideal. Os músculos não ficam bem, o magro deve, inclusive, ser desprovido de massa muscular, o mais próximo possível de um corpo infantil ou de mulher. Chamam-lhe o look andrógino.

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Apesar de o fenómeno ainda não ter atingido o estatuto de anorexia masculina e de apenas 1 em cada 10 anoréxicos ser homem, há muito que o problema do peso deixou de ser exclusivamente feminino. Segundo a organização do Clothes Show Live London, em 2008 a anorexia masculina aumentou 67% nos últimos cinco anos, merecendo até uma designação própria – “manorexia”. Este foi um dos motivos que levou a organização, à semelhança do que já acontecido em Madrid, a tomar uma medida drástica: todos os modelos masculinos com uma magreza “não natural” não seriam chamados para desfilar no evento.

Alguns são da opinião de que não é assim que os homens querem ser. Não é esse o ideal de beleza masculina generalizada na sociedade, para nenhum dos sexos. É apenas o resultado de uma moda, um produto criado por alguns designers e introduzido no mercado para vender. Hedi Slimane é tido como o grande culpado da moda do tamanho zero. Quando o estilista chegou à casa Dior Homme, o ideal de homem extremamente magro ficou estereotipado. Até marcas como Dolce&Gabbana, em cujas campanhas o sensual homem latino era o protagonista, aderiram à nova tendência. Modelos como Chad White, uma das caras preferidas da dupla italiana, perdeu visibilidade para silhuetas como a do russo Stas Svetlichnyy. As influências europeias de Miuccia Prada, Raf Simons ou Jil Sander, que depressa cederam à pressão da magreza, difundiram o estilo a quase todo o mundo da moda.

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Em 2007, depois de mortes mediáticas de modelos anoréxicas, como foi o caso da brasileira Ana Carolina Reston, figuras líderes da opinião desta indústria, como Diane Von Furstenberg e Anna Wintour, demonstraram publicamente a sua opinião adversa a corpos demasiado magros nas passerelles. O problema é que a chamada de atenção foi dada apenas em relação a modelos femininas, enquanto o problema atacava silenciosamente os rapazes.

Pescoço alto, pernas finas, ombros estreitos e salientes, é este o homem andrógino que as grandes marcas procuram nos castings de agora. Músculos ou peso devem ser perdidos. Por isto entenda-se: um homem que meça 1,80 não deve pesar mais do que 70 quilogramas e não deve ter mais do que 76 centímetros de tórax. Numa altura em que as sociedades se deparam com pessoas cada vez mais altas e mais pesadas, de acordo com a evolução natural da espécie humana, há impérios que se opõem terminantemente a seguir o curso e a inventar uma nova espécie, talhada a medidas rígidas e perigosas. Para já é apenas uma moda mas esperemos que não se torne um mal.

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