Contrariando crenças de vários séculos, estudos recentes têm vindo a demonstrar a ausência de relação entre a ingestão de gordura saturada e a mortalidade por doenças cardiovasculares.

Será a ciência médica está a mudar? No passado, vários estudos científicos demonstraram que as dietas com elevado teor de gordura saturada e colesterol conduziam ao aumento da concentração do colesterol sanguíneo, assim como a lesões nas artérias.

Mais recentemente, um número limitado de estudos, baseados em intervenções realizadas em humanos, demonstrou que a redução da ingestão de gordura saturada prevenia o aparecimento de doenças cardiovasculares e inibia a sua progressão em situações mais avançadas. Outros estudos não demonstraram quaisquer prejuízos para a saúde cardiovascular quando a dieta incluía gordura saturada.

Com base nestes resultados, em 2009, foi publicada a análise de um conjunto de estudos realizados neste âmbito), com o objetivo de perceber qual o papel da gordura saturada nas doenças cardiovasculares. Os autores da
meta-análise verificaram que os dados obtidos não revelavam qualquer associação entre a ingestão de gordura saturada e a prevalência destas doenças.

Esta análise tem duas importantes mais-valias. Além de incluir estudos com um número de participantes muito grande e com grande heterogeneidade, os métodos de avaliação da ingestão alimentar utilizados foram bastante fiáveis.

Como conclusão, Tarino, autor desta meta-análise publicada no American Journal of Clinical Nutrition, referiu que a literatura existente não é suficiente para nos assegurar que a ingestão de gordura saturada, encontrada nas carnes vermelhas, no queijo, no leite, na manteiga e noutros alimentos, é prejudicial à nossa saúde cardiovascular.

Então em que ficamos? Devemos ou não inibir a gordura saturada da nossa alimentação? Julgo que a sensatez será a nossa melhor atitude. Ingerir estes alimentos com moderação será o melhor a fazer. Se conseguirmos manter o nosso peso saudável e as concentrações sanguíneas de colesterol e triglicéridos dentro dos valores de referência, ingerindo estes alimentos, possivelmente a sua ingestão não prejudicará a nossa saúde. Estes estudos não revelam falta de coerência na ciência, apenas demonstram que o estudo da nutrição e das doenças é ainda muito recente e que constantemente se vão obtendo mais dados.

Texto: Teresa Branco (fisiologia na gestão de peso)

A responsabilidade editorial desta informação é da revista

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