Os investigadores usaram a técnica CRISPR-Cas9, baseada numa enzima que age como uma "tesoura molecular" no genoma, para eliminarem um gene chamado OCT4 presentes nos óvulos fertilizados. Acredita-se que este gene desempenha um papel fundamental na formação de embriões. "Depois do óvulo ser fertilizado, ele divide-se em sete dias e forma uma bola com 200 células chamada blastocisto", explicaram os autores do estudo num comunicado de imprensa.

"O estudo descobriu que embriões humanos precisam de OCT4 para formar corretamente um blastocisto". Este foi o primeiro uso da edição de genoma para estudar a função dos genes em embriões humanos, o que poder ajudar os cientistas a entender melhor o desenvolvimento inicial dos mesmos, explicou fonte do Instituto Francis Crick em comunicado.

A nível técnico, o estudo publicado na revista científica Nature confirmou a edição CRISPR-Cas9 como um "método poderoso" para examinar o papel dos genes individuais no desenvolvimento humano. Esta técnica permite aos cientistas remover e substituir uma sequência defeituosa numa fita de ADN com grande precisão, eliminando, por exemplo, doenças congénitas ou hereditárias.

O método é, no entanto, controverso porque, segundo os seus críticos, pode ser usado no futuro para o "design de bebés", ou seja, a possibilidade de criar humanos com determinadas características físicas e cognitivas. "Uma maneira de descobrir o que um gene faz no embrião em desenvolvimento é ver o que acontece quando ele não está ativo. Agora, demonstramos uma maneira eficiente de fazer isso", disse Kathy Niakan, uma das autoras do estudo.

"Se soubéssemos os genes-chave que os embriões precisam para se desenvolverem com sucesso, poderíamos melhorar os tratamentos de FIV e compreender algumas causas dos problemas para engravidar", acrescenta.