Um grupo de investigadores de vários países e universidades criaram uma vacina contra a gripe de ação intradérmica - administrada entre a derme e a epiderme - cuja aplicação pode ser feita por uma pessoa sem qualquer conhecimento médico, ou seja, o próprio agente vacinado.

A maioria das vacinas é de injeção subcutânea e, por isso, só pode ser administrada por alguém com conhecimentos médicos. O método agora desenvolvido - uma microagulha - atingiu bons resultados em furões - usados para verificar a eficácia dos medicamentos - e em humanos. A novidade pode ser adaptada para outras vacinas que não apenas a da gripe.

O aplicador utiliza uma microagulha que, a partir da pele, pode penetrar nos tecidos profundos e vasos sanguíneos. "Um dia poderá ser enviada pelo correio para autoadministração. Isso poderia aliviar as multidões nos centros de saúde no caso de um surto ou pandemia", afirmam os cientistas no estudo publicado na revista científica Science Advances Immunology.

Três tecnologias numa só vacina

O responsável pela descoberta, o bioquímico Darrick Carter, do Instituto de Investigação em Doenças Infeciosas de Seattle, nos Estados Unidos, combinou três tecnologias para obter o produto que considera "eficaz e seguro".

Carter utilizou uma técnica alternativa à do vírus inativado, a chamada vacina recombinante, para produzir uma resposta imunitária ainda mais forte. A essa vacina juntou um lípido que aumenta a sua eficácia. Por último, utilizou esta microagulha intradérmica.

Depois de testada em animais, esta vacina contra a gripe foi utilizada em 100 humanos. Não foram registrados quaisquer efeitos secundários e os resultados foram descritos como "positivos".

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que mil milhões de pessoas, em todo o mundo, estejam infetadas com o vírus da gripe.

No entanto, os casos graves ascendem a cinco milhões por ano, causando entre 300 mil e 500 mil mortes anuais.

De acordo com a OMS, os benefícios das vacinas não são iguais em todos os países europeus, existindo muitas crianças sem a proteção que merecem. Por exemplo, uma em cada 15 crianças não recebeu a primeira dose da vacina contra o sarampo e uma em cada 21 crianças não têm todas as doses recomendadas das vacinas contra a difteria, tétano e tosse convulsa, de acordo com dados recolhidos na região europeia pela OMS, em 2016.

Por outro lado, a cobertura da vacinação contra o HPV - que pode provocar cancro do colo do útero - ainda está abaixo dos 50% em alguns países.