"O país já tem muitos problemas de saúde que tem de enfrentar todos os dias, isto [o Covid-19] é um acréscimo na pressão sobre o sistema de saúde fraco e subcarregado", disse a representante da OMS em Moçambique, Djamila Cabral, em entrevista à Lusa em Maputo.

Para Djamila Cabral, o país vai precisar de mais apoios para fazer face a pandemia e os hospitais precisam de meios para o isolamento e tratamento de pessoas infetadas.

"O isolamento é bastante específico e um processo complexo. É preciso começar a preparar isso já e as autoridades estão a trabalhar nisso. Foram identificados hospitais em todas as províncias com áreas de isolamento", afirmou a representante da OMS.

Ainda não há um caso confirmado da doença no país, mas o receio aumentou após a confirmação, desde a semana passada, de novos casos na África do Sul, país que faz fronteira com Moçambique.

Djamila Cabral acrescenta que a prioridade continua a ser a triagem nos aeroportos e postos de fronteira, na medida em que o "perigo virá de fora".

"Estamos a concentrar as ações nas capitais provinciais porque temos a noção de que a pessoa [contaminada] virá de fora. Por isso, se nos aeroportos e fronteiras tivermos um serviço de triagem bom, vamos ter bons resultados e vamos obter a lista das pessoas que entram em Moçambique e para onde vão", acrescentou.

A representante da OMS em Moçambique alertou também para os riscos da disseminação de notícias falsas sobre o Covid-19, numa sociedade onde o acesso a informação ainda é um desafio, principalmente nas zonas rurais.

"As pessoas estão ávidas de informação, querem saber o que se passa e qualquer informação que parece ter alguma lógica elas abraçam, mesmo sem pensar", alertou Djamila Cabral.

O novo coronavírus responsável pela Covid-19 foi detetado em dezembro, na China, e já provocou mais de 4.600 mortos em todo o mundo, levando a Organização Mundial de Saúde a declarar a doença como pandemia.

O número de infetados ultrapassou as 125 mil pessoas, com casos registados em cerca de 120 países e territórios, incluindo Portugal, que tem 78 casos confirmados.

A China registou nas últimas 24 horas 15 novos casos de infeção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), o número mais baixo desde que iniciou a contagem diária, em janeiro.

Até à meia-noite de quarta-feira (16:00 horas em Lisboa), o número de mortos na China continental, que exclui Macau e Hong Kong, subiu em 11, para 3.169. No total, o país soma 80.793 infetados.

Face ao avanço da pandemia, vários países têm adotado medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena inicialmente decretado pela China na zona do surto.

A Itália é o caso mais grave depois da China, com mais de 12.000 infetados e pelo menos 827 mortos, o que levou o Governo a decretar a quarentena em todo o país.

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