A cantora norte-americana Selena Gomez fez em setembro do ano passado um transplante renal devido ao agravamento do seu estado de saúde. A artista sofre de Lúpus Eritematoso Sistémico (LES), uma doença autoimune, multisistémica e com manifestações muito variadas que não tem cura.

"Esta patologia afeta o sistema imune - constituído por células como os linfócitos e mediadores como os anticorpos - que normalmente protegem o nosso corpo. Por ser uma doença autoimune, esta doença provoca uma reação adversa no sistema imunitário, provocando a inflamação e alteração da função do órgão afetado. A inflamação pode provocar dor, calor, vermelhidão (ou rubor) e inchaço (ou edema)", diz António Marinho, médico especialista em Medicina Interna.

Não existe uma causa conhecida e o lúpus não tem cura. É uma doença crónica, ainda que existam fases de remissão. Pode afetar muitos órgãos e sistemas diferentes (daí a denominação sistémica), em especial a pele e articulações, e podem existir sob diversas formas que variam de doente para doente e de período para período.

Evitar o sol e fazer a medicação

António Marinho, da Unidade de Doenças Autoimunes do Hospital Santo António no Centro Hospitalar do Porto, realça que estas medidas em conjunto com a evitação da exposição solar, a proteção solar adequada, e a toma correta da medicação são as pedras angulares da terapêutica contra esta doença.

O especialista explica ainda que apesar da medicação para o LES ser atualmente muito diversificada e complexa, muitas das falhas terapêuticas se devem à baixa implementação de hábitos de vida saudáveis aliados ao incumprimento terapêutico de medidas básicas, como a toma de suplementos de vitamina D e de hidroxicloroquina.

Os sintomas

"Incluem a erupção cutânea na face, nas bochechas, com a típica distribuição em asas de borboleta, a inflamação das articulações, a alopecia (queda de cabelo), as aftas, a fotossensibilidade e múltiplos tipos de afeção cutânea relacionadas muitas vezes com a exposição solar. O envolvimento de órgãos internos é na maioria dos casos detetado pelo conjunto de dados obtidos através de uma história clínica e exame físico cuidadosos e simples testes laboratoriais que estão disponíveis na maioria dos laboratórios", refere António Marinho.

No entanto "as manifestações da doença podem surgir ao longo do tempo e por vezes só é possível ter a certeza do diagnóstico após algum tempo de seguimento", alerta o médico internista.

Segundo António Marinho, o objetivo do tratamento é manter a doença inativa, prevenir as recidivas e minimizar o dano permanente que a doença pode causar, realçando novamente que as terapêuticas para as formas graves, como os corticoides, imunossupressores e biológicos, também provocam dano e a lógica da sua utilização implica o bom cumprimento das medidas já referidas.