A informação, baseada no relatório das autoridades locais de saúde, foi dada pela Organização Internacional das Migrações (OIM) que está a desenvolver ações de promoção de higiene e saneamento, em coordenação com o ministério da Saúde de Borno, para ajudar a controlar o surto.

As equipas da OIM que estão a trabalhar em Konduga, Maiduguri, Jere, Dikwa e Gwoza ajudaram a sensibilizar 2.726 famílias (cerca de 15.000 pessoas) para a melhoria das práticas de higiene, incluindo uso de água potável, e a construir instalações sanitárias, como latrinas e chuveiros, sobretudo em zonas de alto risco como Konduga e Jere.

"Detetar e responder rapidamente aos casos suspeitos de cólera é vital para controlar os surtos, que podem espalhar-se rapidamente", disse o coordenador de emergência da agência das Nações Unidas na Nigéria, Fouad Diab.

O governo está a divulgar mensagens de prevenção para combater esta doença, relacionada com a contaminação das águas, através de estações de rádio locais e em diferentes línguas.

Surto em pleno conflito

A OIM assinala que é necessário arranjar "urgentemente" recursos adicionais para reforçar a resposta e minimizar o risco de que o surto se espalhe para outra áreas, sublinhando que outros parceiros humanitários estão a usar os recursos existentes para as operações de emergência regulares que "não são suficientes para uma resposta de larga escala".

O estado de Borno está no centro de um conflito no nordeste da Nigéria, região onde, segundo os números mais recentes, se encontram deslocadas 1.926.748 pessoas (1,7 milhões no início de 2018), dos quais 80% são mulheres e crianças.

No final de agosto os ministros da Saúde de África comprometeram-se a implementar estratégias-chave para acabar com os surtos de cólera na região africana até 2030, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mas a epidemia continua a afetar vários países.

No Zimbabué, a cólera causou 30 mortes até 17 de setembro, desde que foi detetado, a 06 de setembro, com o número de contágios a superar os 5.400.

No Níger, a doença já matou 55 pessoas, tendo sido registados 2.752 casos a 10 de setembro.

Na Argélia, após 22 anos sem casos, a epidemia surgiu no início de agosto, registando-se 98 casos e a morte de duas pessoas.

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