Num manifesto apresentado hoje, a organização não-governamental (ONG) admite que o “contexto humanitário acarreta riscos especiais”, mas ainda assim diz estar disposta a promover “tolerância zero face à violência de género” e a “igualdade de género em toda a organização”.

No documento, a Médicos do Mundo (MDM) compromete-se a reagir a este problema propondo soluções inovadoras que salvaguardem os direitos dos sobreviventes à proteção e ao acesso a serviços, “ajudando a reforçar os vários serviços públicos de apoio em primeira linha a todos os níveis”.

“Tal implica ligações entre o setor da saúde – que deve providenciar intervenções críticas, gratuitas, sensíveis ao fator tempo e abrangentes, nomeadamente ao nível da saúde reprodutiva e dos cuidados médicos e psicológicos -, os abrigos e os centros de aconselhamento, a polícia e assistência jurídica”, lê-se no documento.

Nas soluções inovadoras, a MDM refere que serão incluídos também homens e rapazes, que tanto podem ser agressores, como vítimas, testemunhas ou agentes de mudança.

Por outro lado, a ONG compromete-se a evitar a violência de género através de soluções que promovam mudanças positivas ao nível regulamentar e comportamental, incluindo entre os profissionais de saúde.

“Tal implica desconstruir estereótipos de género e trabalhar com vista a uma transformação das normas em torno das relações de género e da identidade de género, devendo os esforços de prevenção ser iniciados numa fase precoce da vida e ser dirigido a todas as crianças”, refere a MDM.

Quer também ajudar na promoção de uma mudança na perceção dos grupos expostos à violência de género, explicando que não são só as mulheres, raparigas ou pessoas lgbti as únicas vítimas e que é preciso proteger a dignidade dos sobreviventes, valorizando a sua capacidade de ação “em vez de se centrar no seu desamparo”.

A MDM refere que a violência de género é uma das violações mais sistemáticas e generalizadas dos direitos humanos, e ressalva que “quase um terço das mulheres sofreram violência física ou sexual”.

Um fenómeno que “tem um impacto negativo grave na saúde física, sexual ou psicológica, no desenvolvimento e/ou na identidade da pessoa”.

“Estamos preocupados com a persistência da violência de género em todas as suas formas e manifestações em todos os países, a nível mundial, como uma forma de violação dos direitos humanos e um grande entrave ao alcance da igualdade de género”, lê-se no documento.

Por outro lado, a ONG reconhece que “a causa desta violência assenta nas desigualdades de género e na discriminação, fatores que podem e devem ser ultrapassados, bem como na pobreza, na privação de recursos básicos ou na guerra e nos conflitos”.

Refere ainda que o combate a este fenómeno “é fundamental para cumprir o direito à saúde, para proteger e desenvolver a saúde sexual e reprodutiva (…), para salvaguardar a paz sustentável e para promover o desenvolvimento sustentável”.

A apresentação deste manifesto aconteceu hoje, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, na presença de 16 presidentes e diretores-executivos das delegações que compõem a rede internacional da MDM.

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