Noutras campanhas realizadas no país nos últimos três anos com a mesma vacina ficou “demonstrado” que “protege mais de 80% das pessoas” que a tomam, explicou à Lusa Ilesh Jani, director-geral do Instituto Nacional de Saúde.

A acção visa travar a doença típica da época das chuvas, mas que desta vez está a ter uma propagação muito acima do normal por causa do ciclone Idai.

As autoridades já detectaram 1.428 casos de cólera na província de Sofala, a mais destruída, desde a passagem da tempestade, há três semanas.

O número de novos casos tem crescido de dia para dia e já foram registadas duas mortes, mas as organizações de saúde moçambicanas e internacionais envolvidas no combate têm conseguido curar 94% dos casos.

Como resultado, há oficialmente 79 pessoas doentes.

A cólera é uma doença que provoca fortes diarreias, que é tratável, mas que pode provocar a morte por desidratação se não for prontamente combatida – sendo causada, em grande parte, pela ingestão de alimentos e água contaminados.

A campanha que hoje arranca prevê a vacinação de 884 mil pessoas, anunciou o Governo, incluindo crianças a partir de um ano de idade – numa altura em que o total de pessoas afetadas pelo ciclone e cheias ronda 1,3 milhões.

A medida é considerada fundamental pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para travar a cólera, pelo que vai haver dois tipos de postos de vacinação para tentar chegar a toda a população pretendida.

“Vamos ter pontos fixos ao nível das unidades sanitárias e centros de acomodação e brigadas móveis nos locais de maior concentração como escolas e mercados”, acrescentou.

Ao mesmo tempo, decorrem campanhas de mobilização social ao nível das comunidades.

A vacina cria imunidade aproximadamente uma semana após ter sido tomada e bloqueia ainda a transmissão ao nível do trato gastrointestinal.

A campanha arranca hoje na cidade da Beira e na quinta-feira nos distritos de Dondo, Nhamatanda e Buzi e vai dispor de 900 mil doses obtidas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela OMS, financiadas pela GAVI, The Vaccine Aliance, uma associação internacional que reúne entidades públicas e privadas.

Além da vacinação, as equipas no terreno, no centro de Moçambique, estão a investigar a qualidade das fontes de água nas comunidades.

“Sabemos que um dos principais veículos de transmissão [de cólera] é a água contaminada. Temos equipas no terreno a recolher amostras de pontos de água nos bairros mais afectados para análise em laboratório”, acrescentou Ilesh Jani.

As fontes onde for detectada cólera serão vedadas e deverão ser fornecidas alternativas à população.

Há igualmente equipas a trabalhar no restabelecimento de sistemas de tratamento de água e na distribuição de produtos de purificação.

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