Eunice de Melo conta que tudo começou quando tinha apenas 14 anos de idade e trabalhava na creche de uma tia e madrinha que já faziam alguns trabalhos.

Para a artesã, as pessoas deveriam fazer o uso de artigos recicláveis visto que há materiais que acabam por ir para o lixo, mesmo sendo fáceis de reutilizar.

“Gostaria de encontrar um lixo só para mim”

Questionada sobre uma publicação feita na sua conta de Instagram, Eunice revelou que se encontrasse um lixo reeducaria muitas pessoas e juntaria um grupo de pessoas para  transformarem todo o lixo em luxo e também para criarem a maior oficina de reciclagem de Angola.

"O que eu gostava mesmo era de montar a minha oficina e poder dar cursos para ajudar as pessoas a olharem para o lixo de forma mas respeitável e tirarem uma grande lição. Estou a trabalhar para isso. Uma hora chego lá."
Para as suas criações, tem usado artigos recicláveis como garrafas pets, frascos de vidro, pneus, paletes, banheiras antigas, garrafas de vidro, latas de gasosa, fruta em calda, massa tomate, pacotes de leite, tigelas de gelado e outros.

"Alguns materiais ganho de pessoas conhecidas e anónimas, outras, a maioria, eu compro, principalmente pneus e paletes. Muitas pessoas juntam latas, garrafas e pneus para me venderem, não critico porque cada um ganha o seu pão como pode, até agradeço pelo gesto”, confessa.

Eunice de Melo

"A preocupação e o cuidado de juntarem os materias para vender é um aprendizado que me faz bater palmas a estas pessoas ou, como chamam no Brasil, ‘catadores de lixo’, que é um emprego no Brasil. Muitos pagam casas e a escola dos seus filhos com o dinheiro do lixão e são verdadeiros guerreiros", acrescentou.

Questionada sobre a adesão dos clientes, Eunice diz que tem sido muito boa. No princípio começou por vender apenas à família, mas actualmente a procura das suas criações é maior. As obras mais acessíveis custam cerca de 1500 kwanzas e as mais caras chegam a ultrapassar os 200 mil Kwanzas.

“Infelizmente, o nosso lixo é tão degradado"

Nos dias de hoje é muito complicado aconselhar as pessoas a usarem objectos recicláveis, para isso, Eunice convida a que façam uma visita ao seu atelier com intenção de misturar os gostos, gastar menos e ter tudo que se encontra nas fábricas.
"Trabalhos artesanais e recicláveis são caros, principalmente em países que dão muito valor ao meio ambiente. Em Angola, ainda temos muito trabalho pela frente, pois só vamos compreender e dar mais valor à reciclagem depois de sermos todos reeducados”, defende.
Acrescentando ainda que nunca correu nenhum risco, não tem mandado pessoas recolher lixo e a busca é feita por si. “Infelizmente o nosso lixo é tão degradado que se fosse para colher lixo não sei o que realmente aproveitaríamos”, afirma Eunice.

Eunice de Melo, lixo ao Luxo

Que tal uma casa modelo feita de lixo?

Nas suas criações são arquitectadas obras como mobílias de quarto, salas, armários de cozinha, banheiro, lavatório e lava louça feito de pneus ou também tambores de gasóleo.
Sem esquecer a decoração da casa, Eunice está a ver a possibilidade de agarrar novos desafios como criar uma casa modelo feita de lixo.

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Priscila Jorge

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