A conclusão surgiu na conferência “In bed with AI: How tech is changing how we do it” [‘Na cama com a inteligência artificial: Como a tecnologia está a mudar a forma como o fazemos’, na tradução em português], na cimeira tecnológica Web Summit, em Lisboa, que refletiu sobre os novos paradigmas das relações amorosas e sexuais e como a conectividade sem limites pode ser também uma via para o isolamento.

“As pessoas sentem que a indústria do ‘online dating’ [encontros através da Internet] se moveu para uma área demasiado casual. Há seis ou sete anos, o segmento dos jovens adultos não estava neste mercado e o Tinder [aplicação para encontros românticos] veio mudar isso”, disse Grant Langston, diretor executivo da eharmony, uma empresa que procura fomentar relações amorosas com base na compatibilidade entre os utilizadores.

Novos fenómenos como o ‘ghosting’

Como consequência dessa evolução no mercado, os ‘millennials’ – a geração abaixo dos 30 anos que já cresceu com a influência da sociedade digital – transformou a realidade dos relacionamentos, dando origem a novos fenómenos, como o ‘ghosting’: a ausência de qualquer resposta ou explicação por perda de interesse no outro após um primeiro contacto.

“A nossa capacidade de criar empatia entre os ‘millennials’ desceu 60 por cento na última década”, afiançou Polly Rodriguez, diretora executiva da companhia Unbound Babes, que, porém, recusou apontar já a inteligência artificial (IA) como a resposta de futuro para a sexualidade: “A IA pode ajudar a ver a sexualidade de forma diferente, mas os robôs sexuais não vão chegar nos tempos mais próximos”.

Numa sala lotada e ainda com dezenas de pessoas de pé para escutar considerações sobre o presente e futuro das relações amorosas, Stephanie Alys, cofundadora da empresa MysteryVibe, argumentou que a tecnologia, apesar de “ser uma ferramenta fantástica”, devia “trabalhar em ‘background’” como um apoio para as pessoas.

Por outro lado, o painel de oradores subscreveu uma visão de futuro da tecnologia nesta área mais vocacionada para uma crescente partilha de informação e para uma tendência de leitura das preferências dos utilizadores.

“Ao contrário de outras indústrias, se eu e a minha empresa formos bem-sucedidos, o cliente vai-se embora e não volta. No entanto, há empresas que transformam esta área num ‘jogo’, em que se mantém a pessoa ligada em permanência sem realmente chegar a algum lado. Queremos ajudar as pessoas a, efetivamente, se encontrarem”, concluiu Grant Langston.