A coordenadora da Associação Gender Links Moçambique está optimista relativamente ao alcance da emancipação da mulher e da igualdade de género no país e no mundo, não obstante os dados estatísticos do Fórum Económico Mundial realizado no ano passado, que indicam que essa realidade só poderá concretizar-se no ano 2186.

Alice Banze acredita que a luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres poderá cessar mais cedo, com resultados frutíferos, a considerar pelos ganhos alcançados até ao momento.

“Actualmente, a mulher consegue expressar-se, pois está informada e não trabalha sozinha. Felizmente, alguns homens têm a consciência de que são parte integrante da solução deste problema e dão o seu contributo para eliminar as disparidades que colocam as mulheres em situação desfavorável”, referiu.

A fonte falava ao portal SAPO Moçambique, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, que hoje se assinala, e revelou que a instituição que coordena está agora focada na integração do género na governação local, depois de muitos anos a trabalhar para ampliar o campo de actuação das mulheres na comunicação social.

Para Banze, não parece justo que num país que possui 53 municípios, apenas cinco sejam dirigidos por mulheres.

“Para este caso, temos estado a trabalhar com os presidentes dos municípios, do género masculino, para que eles sejam sensíveis às questões de equidade. Temos muitos municípios que já manifestam esta sensibilidade e implementam as recomendações do protocolo da SADC, que apregoa 50 porcento de representação do género, na tomada de decisões a todos os míveis, nomeadamende, os municípios de Mandlakazi, Massinga, Vilankulos e Ulónguè”.

Alice Banze disse ainda esperar que os resultados das eleições autárquicas, marcadas para Outubro próximo, coloquem mais mulheres à frente da governação dos municípios.

“Para o efeito, associámo-nos ao Governo, ao sector privado e outras organizações da sociedade civil e pensamos que investindo em áreas como a educação, temos mais chances de sucesso”, afirmou.

A Gender Links, uma Organização Não Governamental que trabalha em prol da justiça e equidade de igualdade do género, opera em Moçambique desde o ano 2001, tendo iniciado como um escritório satélite, para a integração do género na comunicação social.

Mais tarde ampliou o seu campo de actuação, passando a trabalhar na integração do género na governação local e na implementação e monitoria do prototocolo da SADC sobre desenvolvimento inclusivo, tornando-se, em 2016, uma organização nacional, com o nome de Associação Gender Links Moçambique.