Não tem como passar pela Namaacha e não provar a famosa doçaria da Dona Maria de Fátima. As suas compotas e licores feitos a maneira caseira ganharam fama naquela vila fronteiriça e rapidamente se espalharam pela capital e não só.

Mãe de quatro filhos e avó de duas meninas, tem uma história de vida carregada de lembranças do tempo da guerra e de uma luta pela sua afirmação na sociedade.

O seu pai era responsável em perfurar tubos de água nas comunidades mais carenciadas, e quando chegasse a casa juntava as quatro filhas para contar histórias que tinha vivido. Maria de Fátima recorda até hoje que várias vezes viu o pai a levar feridos de guerra e parturientes para os hospitais provinciais. Marcas do passado que ficaram na sua memória, e hoje, para ser mais feliz, decidiu usar o seu dom e adoçar a vida das pessoas.

Filha de uma doméstica, teve o seu contacto com a culinária durante a sua infância, em Inhambane. “Eu sou do tempos em que as mulheres deviam ser virtuosas e as suas mães dedicavam-se em “prendar” suas filhas, por isso, aprendi a fazer doces, comida nacional e portuguesa, para além de bordar e fazer limpeza de casa”.

Aos 17 anos, Maria de Fátima decidiu enfrentar a discriminação racial da época, e provar que mesmo sendo mulher e mestiça podia ocupar um cargo de administração no Banco Nacional Ultramarino. A aventura pelos números permitiu-lhe conhecer o país e descobrir outras formas de cozinhar e diversificar a sua culinária.

As suas “experiências gastronómicas” misturam temperos e sabores do centro, norte e sul de Moçambique, mas melhor que isso é que os seus doces tem um paladar da “terra da boa gente”, Inhambane.

Reformada e com 60 anos, recebe o convite de uma amiga para fazer e revender doces em Namaacha. Ela faz compotas de goiaba, maçanica, manga, papaia, banana e outras frutas dependes da época, sem acrescentar qualquer produto químico. Os doces da Dona Fátima são cem por cento naturais e frescos.

Para além de fazer doces, ela criou uma linha de licores com base em frutas tropicais que misturam ervas, temperos, sementes encontradas na região de Maputo e Namaacha.

Na sua lista de clientes, figuram principalmente turistas de Moçambique e da Swazilândia que, mesmo no meio de uma viagem, fazem a pausa obrigatória na vila para comprar a preferencial compota de goiaba e diversos licores.

Benilde Matsinhe

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