Quando a selecção de Moçambique entrar em cena, no mês de Junho, no torneio pré-olímpico que vai qualificar as restantes selecções femininas que estarão em Londres-2012, um nome estará em evidência: Deolinda Ngulela. A base armadora de jogo do cinco moçambicano, que na época 2011 foi considerada a jogadora mais valiosa do basquetebol que se pratica na Pérola do Índico.

O título de Most Valuable Player (MVP) da época passada é encarado com muita responsabilidade pela atleta que em 2011 actuou pela Liga Muçulmana, após ter brilhado pela Universidade de Santa Augusta nos Estados Unidos da América, onde atingiu o ponto mais alto da sua carreira desportiva.

“A minha performance ao serviço da selecção de Moçambique nos Jogos Africanos terá contribuído para esta indicação, apesar de colectivamente não termos atingido performances altas neste evento, pois só podemos colher o que plantamos e enquanto não pudermos trabalhar mais e melhor não atingiremos os resultados desejados”, disse Deolinda Ngulela enquanto se pronunciava sobre o título de MVP 2011.

Aos 31 anos idade, Deolinda Ngulela está na recta descendente da sua carreira, que teve um dos pontos de destaque há sensivelmente uma década. Na altura, a atleta estava ao serviço da Académica e conquistou o título de Melhor Jogadora (MVP) do Campeonato dos Clubes Campeões de África, decorrido em Abidjan, na Costa do Marfim, onde as estudantes moçambicanas conquistaram o título.

Quando compara o basquetebol que actualmente se pratica no país com o dos tempos em que atingiu o escalão de sénior, a base armadora não hesita e afirma categoricamente que: “está muito pobre, no meu regresso dos Estados Unidos da América para o país fiquei muito decepcionada com as equipas que não são competitivas e com a organização das provas”.

Deolinda não se fica por aqui e tem bem presente o motivo desta descida de qualidade na bola-ao-cesto do país que a viu nascer, dizendo que “não estamos a formar a ninguém para substituir jogadoras de gerações que deram o seu melhor na modalidade e a única equipa que está a fazer algum trabalho visível é a A Politécnica”.

E é por esta razão que Ngulela já projectou o seu futuro na modalidade que passará por contribuir para a melhoria do basquetebol moçambicano. “Vou jogar por mais duas épocas e depois vou retomar a carreira de treinadora que já havia iniciado nos EUA, assim poderei contribuir com o que aprendi para a formação de novas jogadoras”, disse a internacional moçambicana.

Depois de ter participado numa das principais competições ao nível do mundo, a liga universitária dos Estados Unidos da América, e nos principais eventos desportivos africanos com as cores da selecção, da Académica e do Desportivo Maputo, a jogadora de 1.70 metro prepara-se para ser uma das principais jogadoras do país diante da Croácia e Coreia do Sul, no pré-olimpíco da Turquia.

Apesar de a qualificação para a Olimpíada de Londres não ser impossível, a “playmaker” aborda esta participação com as devidas cautelas. “Eu coloco as coisas preto-no-branco, dizer que vamos qualificar-nos para Londres honestamente é bem complicado, diria que vamos ganhar experiência por visto que as outras selecções estão muito melhor preparadas por nós. Aposto que as outras selecções já estão a preparar-se e nós ainda nem sabemos quando começaremos a treinar. Devíamos usar a competição para preparar o futuro, integrando na equipa que irá a Turquia novas jogadoras e daí elas ganhariam experiência para futuras competições”.

Moçambique vai fazer o seu primeiro jogo no pré-olímpico da Turquia diante da Croácia no dia 25 de Junho, dia da Independência Nacional, devendo defrontar a Coreia do Sul a 26 de Junho.

Saiba mais sobre a participação de Deolinda nos Jogos Africanos

Alfredo Lituri (Texto) e Sérgio Costa (Fotos)

SAPO MZ

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