Cientistas chegam à conclusão que mentimos muito porque é essencial à nossa sobrevivência

Esta teoria no mínimo controversa até pode fazer algum sentido: A "abordagem altamente seletiva da verdade" é essencial para lidarmos com os outros e para suportarmos as circunstâncias da vida, defendem psicólogos e especialistas alemães e austríacos.
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Se todos os mentirosos fossem como o Pinóquio, a maioria das pessoas teria um grande nariz.

Os seres humanos mentem até 200 vezes por dia, entre assuntos banais e temas sérios. De acordo com um estudo publicado em 2016, cerca de 60% dos alemães admite mentir pelo menos uma vez por dia, sendo que quase metade (49%) o faz quando tenta encorajar os outros e mais de um terço (37%) admite que é para proteger os amigos.

Em Portugal, não há estudos válidos que façam uma análise da prevalência da mentira na boca da população portuguesa.

Klaus Fiedler, cientista e professor de Psicologia Social na Universidade Ruprecht Karls, em Heidelberg, na Alemanha, diz à radiotelevisão germânica Deutsche Welle que na maioria das vezes mentimos para não magoar o próximo, como quando nos oferecem um presente que não gostamos mas que fingimos adorar.

Para este investigador, as mentiras são necessárias à convivência humana. "Há 20 anos que defendo que devemos desistir da nossa hipocrisia e do nosso conceito moralista sobre a mentira. Com isso, não fazemos justiça à essência da mentira", afirma. "É desejável que preservemos os ideais de verdade e sinceridade, mas, por outro lado, devemos ser altamente seletivos quando lidamos com a verdade", acrescenta.

Esta "abordagem altamente seletiva da verdade" não serve apenas para nos relacionarmos com os outros, mas também para lidarmos com a nossa própria identidade.

"Mentir para nós mesmos torna a vida mais suportável", opina o psicólogo e escritor austríaco Werner Stangl, acrescentando que, para uma autoestima saudável e uma atitude positiva perante a vida é essencial que não sejamos implacavelmente honestos connosco próprios. "Nós também não gostamos de ouvir a dura realidade de nossa voz interior, quando somos culpados de algo ou infelizes em algum aspeto da nossa vida", exemplifica.

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artigo do parceiro: Nuno Noronha

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