O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) acaba de divulgar esta quarta-feira um novo relatório que compila as descobertas científicas mais recentes sobre as alterações climáticas e analisa os seus efeitos no Planeta Terra.

O texto trata de quatro temas principais ligados ao aquecimento global e ao degelo: o aumento no nível do mar, as mudança nos ecossistemas marítimos, a redução do permafrost – o subsolo congelado da Rússia, Canadá e Alasca que está impregnado de poluentes – e as ondas de calor marítimas.

O documento analisa uma série de estudos científicos publicados até maio de 2019, que comprovam que os níveis do mar estão a subir de ano para ano. Segundo o documento, até 2100, se nada for feito, o aumento do nível do mar pode alcançar até um metro de altura. No entanto, os especialistas confirmam que os efeitos das alterações climáticas nos oceanos já são irreversíveis.

Segundo o relatório, os cerca de 680 milhões de pessoas que vivem em regiões costeiras poderão ser afetadas pela subida das águas do mar e pela ocorrência cada vez mais frequente de fenómenos meteorológicos extremos.

O documento avança que "há eventos extremos de subida do mar que são historicamente raros – acontecem uma vez por século no passado recente – que se estima que comecem a acontecer com mais regularidade – pelo menos uma vez por ano", a partir de 2050, sobretudo nas regiões tropicais. No texto lê-se que, até 2021, a subida média do nível das águas do mar pode ser de 43 centímetros (no melhor cenário) ou de 84 centímetros (no pior).

Conheça em vídeo as consequências globais do aquecimento do Planeta

Oceanos mais ácidos

Com o aquecimento da água, oceanos tornar-se-ão mais ácidos, alterando a vida marinha. O relatório conclui que ainda que se limite o aquecimento em 1,5°C nos próximos anos, os recifes de coral já estarão por essa altura "condenados" à morte.

O degelo do permafrost vai libertar para a atmosfera mais de 1.500 gigatoneladas de gases com efeito de estufa.

Por outro lado, até ao final deste século, a frequência das ondas de calor marinhas pode aumentar 50 vezes, com variações de temperatura na ordem dos 3℃ ou 4℃.

Glaciares em risco

Os oceanos têm protegido a Terra dos efeitos das alterações climáticas, absorvendo cerca de 90% do calor em excesso.

No entanto, até 2100, escreve o relatório, os oceanos aquecerão até quatro vezes mais. A lista de consequências é extensa: desde a subida das águas do mar, à acidificação dos oceanos causada pela absorção de dióxido de carbono. Por outro lado, prevê-se a redução de oxigénio e aumento da temperatura das águas, o que coloca em causa os ecossistemas marinhos.

Até 2100, "prevê-se que desapareçam muitos glaciares independentemente das emissões [de dióxido de carbono] futuras", refere o documento.

Há ainda risco de "impacto severo na biodiversidade" nos ecossistemas costeiros, assim como riscos para a saúde humana e animal.

O "Relatório Especial sobre Oceano e Criosfera num Clima em Mudança" contou com a coordenação de mais de 100 especialistas de 30 países e é apresentado esta manhã no Museu Oceanográfico do Mónaco.

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