Descobertas recentes já indicavam que a dispersão de humanos modernos (Homo Sapiens) a partir de África podia ter começado há 120 mil anos, mas agora a descoberta do que é considerado o mais antigo fóssil humano fora de África pode fazer recuar essa dispersão em mais de 50 mil anos.

Uma grande equipa internacional, liderada por Israel Hershkovitz, da Universidade de Telavive, e que inclui Rolf Quam, da Universidade de Binghamton, Nova Iorque, descobriu o fóssil em cavernas do Monte Carmelo, em Israel.

“Misliya (o local) é uma descoberta emocionante”, disse Rolf Quam, professor de antropologia, acrescentando: “Ele fornece a evidência mais clara de que os nossos antepassados começaram a migrar para fora de África muito antes do que pensávamos. E significa também que os humanos atuais terão encontrado e interagido durante muito tempo com outros grupos de humanos arcaicos, proporcionando mais oportunidades para misturas culturais e biológicas”.

Fóssil com vários dentes

Segundo a informação publicada na revista Science o fóssil encontrado é um maxilar superior, com vários dentes, tendo-lhe sido aplicadas diversas técnicas de datação.

“Enquanto todos os detalhes anatómicos no fóssil de Misliya são totalmente consistentes com os humanos atuais, algumas características também são típicas dos homens de Neandertal e de outros grupos humanos”, disse Quam.

Segundo os responsáveis, os habitantes da caverna de Misliya eram capazes de caçar diversas espécies e controlavam o fogo.

Tendo em conta que os fósseis de Homo Sapiens mais antigos foram encontrados em África, o tempo e as rotas das migrações para fora do continente são instrumentos importantes para perceber a evolução da espécie, notaram os investigadores.

A região do Médio Oriente representa um corredor das migrações desses humanos.

Em dezembro do ano passado uma investigação também publicada na revista Science dava conta de que a dispersão dos Homo Sapiens a partir de África teria começado 60.000 anos antes do que se supunha, ou seja há 120 mil anos.

Antes, a teoria prevalecente era a de que os humanos modernos evoluíram em África e dispersaram-se depois pela Ásia, acabando por chegar à Austrália numa única onda há cerca de 60 mil anos.

No entanto, avanços tecnológicos nas análises de ADN e outras técnicas de identificação fóssil, aliadas a pesquisas multidisciplinares, indicaram que a espécie Homo Sapiens deixou África várias vezes antes desse período de há 60.000 anos e se misturou com outras espécies de humanos (que acabaram por se extinguir) em vários locais da Eurásia.

Estudos recentes identificaram fósseis humanos modernos em locais longínquos da Ásia que têm potencialmente muito mais do que 60.000 anos. Restos de Homo Sapiens que foram encontrados em vários locais no sul e centro da China foram datados entre 70 e 120.000 anos.

Outros estudos recentes também confirmaram que todas as atuais populações não-africanas de Homo Sapiens se ramificaram de uma única população ancestral africana. Tal pode indicar que houve pequenas migrações a partir de África desde há mais de 120.000 anos (muito mais, segundo o estudo hoje divulgado) e depois uma grande dispersão há 60.000.