Os dados publicados pelo governo do Japão indicam que atualmente perto de 15 mil pessoas dormem diariamente nestes espaços, muito populares para jogar videojogos ou para ver filmes.

Destas pessoas, cerca de 4.000 (25,8%), conhecidas como "refugiados dos cibercafés", adotaram estes estabelecimentos como a sua única casa. Outros 37,1% encaram estes espaços como substitutos de um hotel quando fazem viagens de trabalho.

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Segundo o estudo, realizado entre 2016 e 2017, uma substancial parte destes hóspedes diários dos cibercafés são trabalhadores esporádicos que não têm recursos económicos para alugar uma casa em Tóquio e que encontraram nestes estabelecimentos, abertos 24 horas por dia, uma alternativa económica para pernoitar.

Com preços que oscilam entre os 1.200 e os 1.500 ienes por noite (entre nove e 12 euros), as centenas de cibercafés que existem na capital nipónica oferecem todos os tipos de serviços, como bebidas, computadores, televisões, serviço de aluguer de filmes ou refeições de 'fast food'.

Cadeira reclinável, computador e colchão 

Os espaços utilizados pelos "refugiados dos cibercafés", normalmente de dimensões reduzidas, estão geralmente equipados com uma cadeira reclinável, um computador e um colchão para descansar.

Cerca de um terço dos inquiridos neste estudo admitiu que ficou sem casa depois de ter ficado desempregado e que a falta de recursos económicos, e os altos custos iniciais, não permitem alugar um quarto ou uma casa.

Dentro deste grupo de inquiridos, a maioria (38,5%) está na casa dos 30 anos e muitos perderam os respetivos empregos durante a crise económica de 2008. Outros dos utilizadores destes espaços são pessoas desempregadas com mais de 50 anos, que não conseguem regressar ao mercado de trabalho.

"Não ganham o suficiente para ter um lugar para viver, mas também não têm direito a qualquer subsídio", explicou Ren Ohnishi, porta-voz da organização não-governamental local Moyai, em declarações ao jornal Japan Times.

O último estudo nacional sobre o uso de cibercafés tinha sido realizado pelo governo japonês em 2007. Na altura, o estudo revelou que cerca de 5.400 pessoas utilizavam estes estabelecimentos como a sua única habitação.